Devaneios

Afaste-se do Instagram

Não é de hoje que vemos reportagens dizendo que o Instagram é a rede social mais nociva e prejudicial à saúde. As milhares de fotos em situações de ostentação causam mal-estar em quem passa pela timeline. Muitas vezes até podem piorar quadros de depressão e ansiedade. Nunca me imaginei ser atingida negativamente por essas postagens. Até porque trabalho com redes sociais há sete anos e sei que boa parte do que está ali é falso, montado e editado.

Sempre gostei de postar a minha rotina e bobagens no Instagram. Até de forma compulsiva, confesso. Mas no dia 14 de fevereiro recebi uma mensagem por DM que me fez e faz refletir muito. Um rapaz me perguntou “como é ser rica?”. Não pude deixar de dar uma gargalhada na minha casa. Porque eu sei que estou bem longe de ser rica.  Mas resolvi dar atenção ao seguidor.

O rapaz começou a conversa da seguinte forma: “Acho que nunca conversei com uma pessoa rica assim”.  Diante da minha negativa sobre o meu status de riqueza, ele completou: “pobre sou eu, que nem carro tenho. A única coisa que tenho é saúde, glória a Deus”.

Pois bem, ele queria me fazer uma pergunta. Falei que ele poderia fazê-la. “Ter dinheiro para fazer o que quer, comprar tudo bom, viajar para lugares paradisíacos, ir para as melhores baladas e ter as melhores roupas, traz felicidade?”

Percebendo a minha incredulidade diante da pergunta ele completou. “Não estou zoando. É só uma curiosidade minha, eu juro”. Na época, eu falei que ele estava enganado porque eu trabalho e trabalho muito. Que estou longe de ser rica e ter tudo isso!

O tempo passou e aquilo ficou martelando na minha cabeça. “Será que essa é a impressão que passo para as pessoas?” “Essa é a minha reputação?” Mas isso está muito errado! Como consequência natural, diminuí o número de postagens sobre a minha vida pessoal. Passei a postar sobre a minha vida profissional, um curso que estou fazendo em São Paulo e sobre as minhas aulas de espanhol aos sábados de manhã. O tempo passou e vieram mais comentários por DM. Dessa vez, de muitas outras pessoas. “Você é tão realizada profissionalmente”, “Tão bem sucedida”, “É feliz trabalhando desse tanto?”.

Mais uma vez eu parei para pensar. Não sou atingida pelas postagens do Instagram, mas percebi que estou atingindo as pessoas. Mesmo sem querer. E, mais uma vez, percebi que estava emitindo uma imagem errada. Mais uma vez estava causando sensações ruins nas pessoas. Talvez uma ansiedade por não terem o que eu, supostamente, tenho.

Isso tem me feito pensar 37 vezes antes de postar qualquer coisa nas redes sociais. Não quero deixar as pessoas tristes, ansiosas e até depressivas. É necessário entender que a vida é muito além de tudo que é postado. Que por trás de uma viagem existem vários dias anteriores em que comi marmita para economizar dinheiro, que por trás de um emprego bem sucedido existem compromissos familiares, como aniversários, que precisaram ser deixados de lado.  Isso tudo me fez perceber, finalmente, que vivo muito melhor longe das redes sociais. Que não preciso postar cada segundo do meu dia. Acho que estou fazendo as pazes comigo mesma e convivendo de forma saudável nesse mundo maluco de falsas impressões.

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