A sorte de um amor tranquilo: é possível?
Já dizia o Cazuza, “eu quero a sorte de um amor tranquilo com sabor de fruta mordida. Nós na batida, no embalo da rede, matando a sede na saliva”. Muita gente sonha com um relacionamento estável, sem brigas, sem toxidade, ou seja, um amor que seja como um voo de cruzeiro. Na paz, na tranquilidade e sem turbulências. Muitas vezes eu já quis isso, mas nunca recebi. Depois de passar por um relacionamento abusivo e algumas outras experiências complicadas, me questiono: o que é um amor tranquilo? É possível?
É triste o que vou falar a seguir, mas após diversas experiências amorosas frustradas, eu desaprendi a amar de forma saudável. Sério mesmo? Infelizmente, sim. Relacionamentos tóxicos te mudam tanto que o que é errado passa a ser o certo e você não sabe mais lidar com o normal. Para mim, um relacionamento sem brigas, discussões, desconfianças, paranóias e traições se tornou um relacionamento chato, sem emoção, puro tédio.
Quem se arriscou a chegar perto de mim oferecendo paz e serenidade, eu mandei embora. Não soube lidar com o normal. Se não me fazia surtar, talvez não fosse certo. Existe amor sem surto? Paixão sem lágrimas? Eu me questionava. O amor é enlouquecedor, não? Não é isso que vemos nos filmes, livros e seriados?
É isso que vemos e achamos normal, mas não é para ser assim. Um amor tranquilo e saudável existe, apesar de eu nunca ter experimentado. Já tive algumas oportunidades, mas achava estranho não ter a vontade de matar a pessoa. Sentia que algo estava errado, mas a verdade é que eu ainda não estava pronta.
Agora, espero pelo dia em que se aproximem de mim novamente e me ofereçam um amor em que eu possa dormir tranquila sem pensar que estou sendo traída, sem acordar no meio da noite com a pessoa bisbilhotando meu celular e sem ser humilhada por ser quem eu sou.
Levei tanta porrada na vida amorosa que criei uma fortaleza em volta de mim. Não deixo ninguém entrar. Recebo o vistantes da janela e logo os mando embora. Aos que ofereci um pouco mais de atenção, me causaram confusão e turbulência. Essa loucura se tornou a minha rotina até o dia em que decidi que ninguém mais ia entrar. Grito aos quatro ventos de que não preciso de ninguém para me cuidar, mas a verdade é que não sei ser cuidada.
Digo que eu me cuido sozinha. E eu realmente me cuido muito bem, mas é sempre bom poder dividir as alegrias e tristezas da vida. Espero que chegue um dia em que alguém consiga ultrapassar todas as barreiras que ergui e consiga entrar. Mas que seja para me oferecer paz. Que se aconchegue na rede e mate a sede no céu da minha boca.
Com o tempo entendi que não há nada de errado em ser cuidada ao invés de levar porrada. Quero ser cuidada! Preciso ser cuidada! Vou repetir isso até chegar o dia em que eu consiga virar a chavinha mental do amor turbulento para a normalidade e tenha a sorte de ter um amor tranquilo.
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Um comentário
Mellody
Vc está madura, sábia e humilde.
Achei lindo o texto.
Têm pessoas que amam. Têm pessoas que têm o universo de amor dentro do coração, da alma. E acaba transbordando p resto do corpo.
É quando vem a vontade de amar e ser amada.
Mas este tipo de amor chega. O principal é vc reconhecer que entende que dá p ter amores calmos…